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Agora você poderia lançar-me um
olhar de censura e dizer que os irmãos, ou os homens
controlam a garota, etc... etc... mas antes que você faça
isso, por favor pergunte-me esta questão vital:
P) Quem ou o que são as mulheres para um homem egípcio/árabe?
R)Uma mulher para um homem egípcio pode ser: Mãe,
irmã, filha, tia, avó, prima, noiva, esposa ou
empregada doméstica. Bem, um egípcio não
poderá NUNCA dizer não para nenhuma destas damas.
Elas controlam completamente sua vida. Aquilo que ele come,
aquilo que ele veste, o local onde ele irá dormir, que
emprego ELAS terão orgulho que ele assuma,
e ELAS ESCOLHEM PARA ELE A MULHER COM QUEM ELE IRÁ SE
CASAR.
Conheço diversos desastres causados por algum pobre homem
que se casou com uma garota que não era a escolhida pelas
mulheres da família. Virou um inferno na terra. Acredite
em mim, meu irmão fez isso 30 anos atrás, e vive
apenas para consertar seu erro. Porém, as senhoras têm
suas próprias leis morais de conduta e o que elas consideram
ser uma boa mulher ou uma não tão boa. Ela deve
ter qualidades e hábitos que as demais aprovem. Veja
bem, ela será a porta e um agente especial para o marido,
para convencê-lo, à sua maneira, a fazer o que
as outras mulheres querem que ele faça.
Eu não estou aqui para julgar nada nem ninguém,
eu estou apenas fascinado pela maneira como este jogo de xadrez
é jogado. É um jogo da vida, e as mulheres egípcias
o jogam apaixonadamente, até o fim.
Lembro-me de quando eu era um jovem no Cairo, eu tinha um grande
amigo que também era baterista chamado Tareq, nós
dois éramos muito SOFISTICADOS (ooops), provenientes
de famílias de classe alta. Minha família era
Pashas e estava na indústria do cinema e também
havia mercadores muito ricos de ouro e diamantes do Khan el
Khalili. Um dia, Tareq e eu estávamos em El Hossein,
e andávamos atrás de uma moça.
Esta moça Baladi devia ter cerca de 28 anos de idade,
e nós tínhamos cerca de 16 ou 17. Ela vestia uma
longa Galabeya que estava bem folgada, mas onde o Melaya estava
amarrado, podíamos ver a maravilhosa forma de Coca
Cola (Tamanho padrão) (brincadeirinha) de seu corpo.
Havia uma certa parte de sua traseira que se movia independentemente,
como dois gatinhos brincando em um saco, ...... Então,
ritmicamente, Tareq e eu começamos a cantar um Maqsoum
para seu andar: Dom Tak Trrrrak Dom Retitak ....... e após
algumas barras de compasso nós não agüentamos
mais e começamos a rir. Mas eu nunca esqueci aquele dia.
Ela andava como se não houvesse nenhuma outra mulher
para se olhar neste abençoado planeta além dela.
Até onde ela sabia, ela ERA. Orgulhosa, forte, agradável
e muito respeitável, e cheia de força feminina.
Imagine que esta era Zeinab. Agora, a irmã mais nova
de Zeinab, Souaad, está se casando, e este é provavelmente
o dia mais feliz da vida de Zeinab, mais feliz ainda que a noite
de seu próprio casamento. Para ela, agora o dever de
sua família foi cumprido, e seu pai e sua mãe
podem começar a ter um pouco de vida para si mesmos também.
Não pense que ela não irá dançar
nesta noite, pode apostar que sim. E em PÚBLICO também.
Como ela irá fazer isso sem quebrar as tradições
de nunca expor uma grande porção de sua feminilidade
em público de modo a não envergonhar seu esposo,
que deve ser respeitado e deve dar a idéia de um LEÃO
da família, se não de toda a vizinhança,
de modo que ele possa ficar quieto e continuar a fazer o que
está fazendo, ir trabalhar todos os dias e trazer o dinheiro
para a casa, para dar a ela? Ela terá que dançar
bem devagar, conquistando seu espaço pouco a pouco....
Um pequeno taqsim ou um Oud, ou como se faz recentemente, um
acordeom ou um saxofone ou mesmo um teclado, é uma boa
maneira de começar. Ela terá que dançar
em um único ponto, com pequenos e contidos movimentos,
muito contida mas cheia de sentimento pela música, e
expressando a música.
Se a música faz uma nota longa, ela ondula com esta nota
como os brotos de bambu ao longo das margens do Nilo, ondulando
com a força da brisa. Mas se a música tem pequenos
sons acelerados, ou mesmo tremidos, ela faz o shimmie acompanhando.
O bambu também é chamado de Oud, de onde vem o
nome da introdução do Taqsim assim como também
é usado para o instrumento Oud. É por isso que
também é chamado de AWWADY. Esta
parte é como um Mawwal (canto livre, nostálgico
e não-rítmico) de um instrumento.
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